Ariadne Celinne


Macbeth

William Shakespeare

Contra capa: “O general Macbeth era um valoroso soldado da corte do rei Duncan, da Escócia. Entretanto, era casado com uma mulher fria e ambiciosa, que engendrou um plano sinistro e o convenceu a assassinar o monarca escocês, para roubar-lhe a coroa e o poder. A partir desse episódio, a ambição desmedida arruinaria completamente a vida de Macbeth.”

Meu comentário: Macbeth era um respeitado general, até o dia em que recebeu uma profecia de três bruxas e com isso passou a perseguir a profecia, com influência de sua mulher. No momento em que contou a sua mulher sobre o acontecimento com as bruxas. Ambos passaram a perseguir o trono da Escócia.

    Livro muito bom, vocabulário excelente, leitura simplesmente prazerosa, afinal é Shakespeare! Um escritor incomparável quem ainda não leu algum livro de Shakespeare procure, realmente vale a pena.

“Quem foi William Shakespeare?

 No verão de 1587, um rapaz interiorano andava pelas ruas de Londres. Tinha consigo apenas algumas libras, mas finalmente encontrava-se no ambiente propício para desenvolver a sua vocação: a literatura.

A capital inglesa havia sido, por muito tempo, apenas um sonho para William Shakespeare. Nascido em 1564, em Stratfordupon-Avon, gozou de uma vida abastada até os 12 anos. A partir de então, com a falência de seu pai, viu-se obrigado a trocar os estudos pelo trabalho árduo, passando a contribuir para o sustento da família. Guardava, entretanto, os conhecimentos adquiridos na escola elementar, onde havia iniciado seus estudos de inglês, grego e latim; por sua própria conta, continuou a ler os autores clássicos, poemas, novelas e crônicas históricas. Era também um profundo conhecedor da Bíblia.

Aos 18 anos, já era casado com a rica Anna Hathaway, com quem teve três filhos. Não se sabe ao certo por que o motivo seguiu sozinho para Londres, quando contava 23 anos; o fato é que veio a tornar-se a figura mais expressiva na literatura inglesa. Foi o maior poeta e dramaturgo do Renascimento de seu país.

De maneira bem simples, podemos definir o Renascimento como a retomada da cultura da Antigüidade clássica, baseada na valorização de todas as capacidades do homem e no estudo e conhecimento da natureza, que se desencadeou em vários países da Europa nos séculos XIV, XV e XVI, reformulando as artes, as letras e as ciências. Esses princípios eram bem diferentes daqueles que nortearam a cultura medieval, centralizada na adoração a Deus e no estudo exclusivo dos livros sagrados e dos assuntos espirituais.

Vários foram os fatores que determinaram esse processo: a centralização do poder na figura dos reis, que estimulavam a produção artística, esperando obter, dessa forma, uma promoção pessoal, o desenvolvimento do comércio e das cidades; e o enriquecimento dos comerciantes, que passaram a pagar para que artistas e literatos produzissem obras que divulgassem os valores dessa classe em ascensão.

Tal efervescência cultural era bastante acentuada em Londres, onde se desenvolvia uma intensa atividade teatral. As peças, além de encenadas, eram impressas em livros e folhetins, os quais eram rapidamente consumidos pelo público. Assim, as companhias eram obrigadas a renovar seus repertórios com freqüência, encomendando peças inéditas aos autores da época.

Shakespeare indicou sua carreira como ator, na companhia teatral do conde de Leicester.Pouco tempo depois, passou a dedicar-se à adaptação de textos alheios para o palco. O sucesso obtido nessa atividade levou-o a escrever suas próprias peças – a primeira delas foi o drama histórico Henrique IV, em 1591.

Nos dez anos seguintes, Shakespeare – agora com sua própria companhia teatral – escreveu 15 peças, quase todas comédias leves e dramas históricos ou sentimentais, como Sonho de uma noite de verão; A megera domada; Muito barulho por nada; Ricardo III; e Romeu e Julieta. A partir de 1601, durante um período de recolhimento e meditação, elaborou a maior parte de suas tragédias, como Otelo; Hamlet; Rei Lear e Macbeth – esta é considerada, por alguns críticos, a sua “fase sombria”. A maioria dessas obras já foi adaptada para a série Reencontro Literatura e vem obtendo grande sucesso de público, ano após ano.

Para escrever Macbeth, a última de suas grandes tragédias – e a mais curta - , Shakespeare baseou-se nas Crônicas da Inglaterra, Escócia e Irlanda (1577), do historiador inglês Raphael Holinshed, que morreu por volta de 1580. Entretanto, como costumava fazer, manejou as informações com grande liberdade, para expor a trajetória de um homem que se arruína completamente por causa da ambição desmedida. Na vida real, Macbeth efetivamente matou seu antecessor, Duncan I, que considerava um usurpador, porém governou com competência , dentro do possível, com justiça. Estabeleceu a lei e a ordem no país e, muito religioso, fez uma peregrinação a Roma. Nascido em 1005, casou-se, em 1033, com Gruach, neta de um dos primeiros soberanos escoceses, e foi morto por Malcolm, filho de Duncan, em 1057, após dezessete anos de reinado.

Escrita provavelmetne em 1606, Macbeth talvez tenha estreado na corte do rei Jaime I em agosto do mesmo ano. Contudo, a primeira apresentação de que se tem registro data de 1611 e ocorreu no Gloe Theatre, o teatro de Shakespeare, em Londres. Como muito de seus contemporâneos, Jaime I era fascinado por feitiçaria, e Shakespeare incluiu na ora três feiticeiras, que desempenham papel fundamental no desenvolvimento do enredo. Também substituiu os dinamarqueses que participaram da rebelião focalizada na peça por noruegueses, já que Cristiano da Dinamarca assistiria à representação. O desfile dos reis, na cena I do ato IV, constitui outra de suas alterações, para glorificar a dinastia dos Stuart, à qual Jaime I pertencia.

Muitos atores se recusavam a pronunciar o nome da peça, preferindo chamá-la de “a peça escocesa”, porque acreditam que o nome Macbeth dá azar. Há muitas histórias de acidentes associados com produções da peça. O pior de todos aconteceu em Nova York, em maio de 1849, quando um tumulto provocado pela representação resultou em 22 mortos e mais de 150 feridos.

Macbeth inspirou a ópera ao compositor italiano Giuseppe Verdi, que estreou em 1847, e ao menos dois grandes filmes: Macbeth, reinado de sangue, de Orson Welles, e um trono manchado de sangue, de Akira Kurosawa.

 

 

 

Título Original:
Sister of my heart
Tradução:
Adalgisa Campos da Silva
Capa: Victor Burton 
Editora: Objetiva  408 páginas

 

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