Ariadne Celinne


O Grande Mentecapto
Fernando Sabino

Orelha de página: “Fernando Sabino começou a escrever este livro em 1946, aos 23 anos, como uma distração para a obsessão literária que então o sufocava. Dez anos mais tarde, preocupações de outra ordem levaram-no a escrever O encontro marcado, que tanto sucesso alcançou, com sucessivas edições até os dias de hoje – além de crônicas, contos e novelas com que conquistou seu numeroso público desde então.

Um dia, já em 1979, remexendo velhos papéis, encontrou algumas folhas amareladas pelo tempo, com o princípio da história do grande mentecapto Viramundo. Como um desafio, decidiu retomá-la e em 18 dias de trabalho contínuo e ininterrupto noite adentrou deu por terminado o romance iniciado 33 anos antes. A sua impressão é a de que teve o livro dentro de si durante todo esse tempo ansiando por sair. O certo é que nele reencontrou a sua vocação de romancista. Tamanho esforço redundou numa obra a um tempo hilariante e dramática, cuja ação circunscrita a Minas Gerais, adquire uma dimensão universal, remontando às origens franco-ibéricas do romance picaresco medieval.”

 Comentários sobre o livro:

“O RELATO das aventuras e desventuras de Viramundo e de suas inenarráveis peregrinações não é apenas a obra-prima da vasta produção de seu autor, mas estou certo de que ficará como uma das expressões marcantes da nossa história intelectual, criadora de um tipo insólito e representativo, que vai permanecer ao lado dos personagens mais famosos de nossa ficção literária”. – Tristão de Athayde

“FALEI em alegria, embora se trate de uma sucessão de episódios que crescem avassaladoramente para o patético. E aqui está, precisamente, uma característica da grande linhagem clássica do romance picaresco, iniciada pelo Lazarillo de Thormes, e em que esta obra-prima de Fernando Sabino vem se inscrever”. – Moacir Werneck de Castro

“O POVO brasileiro, sofrido, batido, humilhado, mas sempre de pé, lutando, jamais vencido nem desesperado, ei-lo novamente o herói e nossa literatura. Neste livro de Fernando Sabino ele se chama Geraldo Viramundo, o Grande Mentecapto, ou seja, o cordial, o generoso, o justo, o corajoso, o imbatível homem brasileiro”. – Jorge Amado

“FERNANDO Sabino, na posse madura da arte de escrever, mostra-se sempre à vontade neste livro ágil, matreiro e comovente, em que loucura e razão se entrelaçam e não se sabe ao certo onde está o absurdo: se naquela, ao afirmar-se com espontaneidade e singeleza, ou nesta, que se cobre de formalismo e impostura... A gente sai do livro amando o mentecapto como o irmão que não tivemos.” – Carlos Drummond de Andrade

Contra capa: “Foi ele, esse iluminado de olhos cintilantes e cabelos desgrenhados, que um dia saltou dentro de mim e gritou basta! Num momento em que meu ser civilizado, bem penteado, bem vestido e ponderado dizia sim a uma injustiça. Foi ele quem amou a mulher e a colocou num pedestal e lhe ofertou uma flor. Foi ele quem sofreu quando jovem a emoção de um desencanto, e chorou quando menino a perda de um brinquedo, debatendo-se na camisa-de-força com que tolhiam o seu protesto. Este ser engasgado, contido, subjugado pela ordem iníqua dos racionais é o verdadeiro fulcro da minha verdadeira natureza, o cerne da minha condição de homem, herói e pobre-diabo, paria, negro, judeu, índio, santo, poeta, mendigo e débil mental. Viramundo! Que um dia há de rebelar-se dentro de mim, enfim liberto, poderoso na sua fragilidade, terrível na pureza de sua loucura.”

Como o livro chegou em minhas mãos: através da biblioteca da escola.

Meu comentário: O livro trata da vida de José Geraldo Peres da Nóbrega e Silva, ou Viramundo, como o leitor preferir. Utilizado um vocabulário que engloba desde a linguagem popular do Brasil até uma linguagem bonita e requintada em que se utiliza o dicionário inúmeras vezes. O livro varia de um humor hilariante até o drama da realidade brasileira. Um livro que é escrito de uma maneira totalmente original por Fernando Sabino. “O Grande Mentecapto” um livro para rir e refletir. Recomendo!

 

 

Capa: Concepção Original de Gian    Calvi                Editora: Record
250 páginas

 

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